O funcionamento deste projecto está baseado na observação dos fenómenos sobre a pobreza e a exclusão nos colectivos da Europa e da América Latina, e acima de tudo na situação de pobreza crescente nas cidades em questão, assim como na diversidade e na ampliação das camadas sociais devido à exclusão.
- Na América Latina a maioria das grandes e médias cidades têm que enfrentar um aumento exponencial da pobreza. Os números oficiais do Banco Mundial mostram um crescimento muito acentuado da população urbana, podendo chegar a atingir 65% em 2050, o que faz com que os fenómenos de exclusão sejam cada vez mais graves. O grande crescimento das cidades e em concreto da periferia das grandes urbes, unido à deterioração nas condições de vida em certos bairros ou espaços urbanos, realça os problemas da exclusão económica, social e cultural, exigindo que apareçam melhores políticas urbanas de inclusão. Estes fenómenos afectam, em particular, a determinados grupos como as mulheres, as mães solteiras, as crianças que vivem na rua, os jovens desempregados ou certos grupos étnicos.
- Na Europa existem disparidades profundas nas aglomerações urbanas. Nas suas cidades, a distância entre ricos e pobres aumenta e, paralelamente ao aumento do desemprego, aparecem formas novas de exclusão. Por isso, ao estar a base industrial de muitas cidades em decadência, a classe média fugiu para a periferia. Actualmente, a pobreza humana está concentrada em certos núcleos urbanos ou em zonas da periferia e entre determinados grupos identificados: as minorias étnicas, as mulheres, as famílias monoparentais, os jovens desempregados, algumas pessoas idosas. Assim, em determinados bairros prevalece uma situação de exclusão tanto geográfica como social. Inclusivamente algumas zonas urbanas transformaram-se em lugares nos quais para os seus cidadãos o direito não existe.
Tomando como ponto de partida esta constatação, as cidades e organizações associadas a este projecto tentaram compartilhar a sua abordagem conceptual e estratégica sobre a problemática da Rede 10 (Combate à pobreza urbana) declarando a necessidade de evoluir para o conceito da inclusão social. Com efeito, na maioria das cidades o tratamento que se dá ao fenómeno da exclusão, evolui para uma abordagem multidimensional e integral.
Os sete cooperantes do projecto identificaram problemas parecidos: delimitar melhor os fenómenos relativos à exclusão; articular melhor as políticas de inclusão e melhorar o seguimento e a avaliação das suas acções. Todos pretendem que comece a funcionar uma gestão urbana mais integral e coerente.
As seis cidades que são membros de pleno direito, são urbes grandes com vários milhões de habitantes ou formadas por regiões metropolitanas muito povoadas. Algumas são a capital do país (Montevideo e Buenos Aires), outras são-no da sua região ou estado (Barcelona, Porto Alegre e São Paulo) e por último Saint-Denis, a segunda aglomeração da região metropolitana Île de France da capital francesa, desempenha um papel essencial em relação à mesma. Apesar das diferenças entre os municípios cooperantes, eles compartilham todos os problemas das grandes urbes, enfrentadas seriamente à transformação das teias económicas e sociais (especialmente as relativas à era industrial), ao desemprego, aos problemas relativos às populações de emigrantes, a dimensões diferentes sobre os problemas de integração cultural, etc.
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